Justiça decreta falência de grupo de supermercados por dívida de quase R$ 700 milhões

  • 10/09/2026
(Foto: Reprodução)
Vencedor Atacadista é administrada pelo Grupo Ricoy Reprodução/Google Street View O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a falência do Grupo Ricoy, proprietário de 33 empresas de redes atacadistas no estado de São Paulo. O conglomerado, que abrange marcas em Itapetininga e Jundiaí (SP), reconheceu uma dívida de R$ 518 milhões, divididos em mais de 5 mil credores. A decisão é de 28 de agosto e cabe recurso. A sentença do processo, que tramitava desde o final de 2025, foi proferida pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A decisão determina que todos os bens e contas bancárias vinculadas aos CNPJs do grupo sejam bloqueados. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Agora no g1 LEIA TAMBÉM CEI conclui que morte de funcionário soterrado em Tatuí não foi acidental e pede investigação de secretário por homicídio Ex-funcionários da Fepasa se reúnem e criticam abandono em Itapetininga: 'Uma pena' Polícia Civil de Boituva investiga dono de empresa de bebidas por fraude de R$ 15,8 milhões "O plano de recuperação judicial foi submetido à Assembleia Geral de Credores em 14 de julho de 2025, e foi rejeitado. O plano alternativo dos credores também não atingiu o quórum de 35% para votação. Assim, convolo a recuperação judicial em falência", decidiu a juíza. Segundo o documento, o Grupo Ricoy acionou a Justiça em janeiro de 2026, devido ao corte de água em uma das unidades do Vencedor Atacadista, em Várzea Paulista (SP), por faturas atrasadas antes da recuperação judicial. A rede alegou perigos para operar e conseguiu uma liminar, proibindo cortes por débitos antigos. Já em Jundiaí, a prefeitura do município cobrou na Justiça uma dívida de R$ 74 mil por falta de pagamento de impostos do grupo. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região denunciou irregularidades nas filiais, devido à alienação fraudulenta de equipamentos e mercadorias, prática usada com o objetivo de esconder patrimônio para evitar o pagamento de dívidas. Além disso, o processo aponta que uma fiscalização conduzida por uma administradora judicial constatou o fechamento repentino de, ao menos, 19 lojas. O relatório denunciou, ainda, o desvio de faturamento das unidades para impedir a penhora por credores. Segundo o relatório, o grupo também utilizava outras duas empresas para receber pagamentos dos consumidores por meio das máquinas de cartão de crédito dos estabelecimentos. Em Itapetininga, o grupo era proprietário da rede Pão de Mel, que possuía três unidades na cidade, com a última encerrando as atividades em maio deste ano. O Grupo Ricoy chegou a ter 96 lojas e mais de 5 mil funcionários em 76 municípios do estado. Dívida e dinheiro nunca depositado Conforme a petição inicial, a qual o g1 teve acesso, o Grupo Ricoy declarou uma dívida de R$ 518.995.719,49, que deveria ser pago para 5.027 credores. Além disso, o conglomerado também admitiu um valor de R$ 172 milhões junto à União e às prefeituras de Jundiaí, São Paulo e Carapicuíba (SP). Na petição, as empresas do grupo aatribuíram ocolapso financeiro a três fatores, entre eles, a concorrência dos atacarejos, as incertezas fiscais após a incorporação de outro grupo em 2012 e a alta da taxa Selic a partir de 2022, encarecendo o valor a ser pago. Os fundadores do grupo venderam todas as ações ao empresário Cícero Santos Guedes em março deste ano, quando ele assumiu a administração de todo o conglomerado. De acordo com o processo, Cícero se comprometeu a aplicar R$ 50 milhões no caixa das empresas, divididos em pagamentos em atraso e capital de giro. Porém, o valor nunca foi depositado. Sob a nova gestão, as empresas pararam de enviar à Justiça documentos financeiros considerados importantes, como demonstrativos, extratos, livros contábeis e folhas de pagamento. Cícero chegou a tentar suspender o processo, acusando os antigos sócios de ocultarem o valor da dívida, alegação que foi rejeitada pela juíza. "O requerente, na qualidade de controlador pessoa física do Grupo Ricoy, não tem legitimidade física para requerer os pedidos relacionados à regularidade da recuperação judicial. Como controlador e administrador das sociedades do grupo, o requerente pode e deve ter acesso à documentação contábil e societária, as quais, inclusive, comumente são feitas durante o processo de compra e venda", apontou a magistrada. Determinações da falência Com a falência oficialmente decretada, a Justiça determinou uma série de medidas. Confira todas abaixo: Arrecadação de bens: apreensão e proteção do patrimônio do grupo; Varredura patrimonial: bloqueio de contas, investimentos, veículos e imóveis, além do envio das últimas declarações do Imposto de Renda (IR); Inabilitação empresarial: acrescentar o termo "falido" na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) e na Receita Federal, impedindo a atividade como empresa; Habilitação de créditos: os ex-funcionários dos supermercados do grupo e os credores da dívida deverão encaminhar os pedidos diretamente à administradora judicial. História em Itapetininga O fundador da Rede Pão de Mel em Itapetininga, Zecaborba Soares Hungria, morreu em 10 de janeiro deste ano. Ele vendeu a marca ao Grupo Ricoy em 2009. A expressão "fazer compras no Borba" fazia parte do vocabulário dos moradores mais antigos da cidade até o fechamento da rede. Isso se deve à mercearia que o empresário tinha, a partir da qual iniciou a rede de supermercados que recebeu o nome de "Pão de Mel" e foi responsável por gerar centenas de empregos na cidade. Rede Pão de Mel encerrou as atividades na cidade em maio de 2026 Reprodução/Google Street View Além da atuação empresarial, ocupou cargos de liderança na Associação Comercial e no Sindicato Varejista de Itapetininga. Também colaborou com instituições sociais como a Apae, o Lar São Vicente, grupos de apoio a pessoas com deficiência e entidades de proteção animal, como a Uipa. Na vida pública, recebeu a Medalha de Mérito da Câmara Municipal e participou de clubes de serviço como Rotary e Lions. Deixou a esposa Helena Munhoz Cardozo Hungria, os filhos Fernanda e Arnaldo, além de genro e netos. O que dizem os citados O g1 entrou em contato com o Grupo Ricoy, responsável por todas as empresas citadas, e com a Prefeitura de Jundiaí, mas não obteve retorno até a a última atualização desta reportagem. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/09/10/justica-decreta-falencia-de-grupo-de-supermercados-por-divida-de-quase-r-700-milhoes.ghtml


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