Mulher baleada pelo ex fica tetraplégica e decide estudar perícia criminal: 'Última voz da vítima'

  • 25/08/2026
(Foto: Reprodução)
Gisele Fiales ficou tetraplégica após ser baleada pelo ex-companheiro Arquivo Pessoal Gisele Fiales ficou tetraplégica após ser baleada pelo ex-companheiro há mais de 30 anos. Hoje, ela usa a experiência de ter sobrevivido a uma tentativa de feminicídio como um alerta para ajudar outras mulheres em São Vicente, no litoral de São Paulo. Além de ser ativista, a mulher de 49 anos está estudando investigação forense e perícia criminal. Ao g1, ela explicou ter sido motivada pela importância desse trabalho para as vítimas de feminicídio, como o caso do tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de matar a esposa Gisele Alves, encontrada morta com um tiro na cabeça, no apartamento onde o casal morava em São Paulo. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. "Se não fosse o trabalho incrível da perícia, não ia ser descoberto. Então, a perícia é a última voz da vítima. É um trabalho que me motiva para a justiça ser feita e esse tipo de crime não ficar impune", destacou Gisele. Agora no g1 Início do relacionamento Aos 14 anos, Gisele saiu da casa dos pais para morar com o primeiro namorado. "Ele demonstrava muito carinho, queria fazer tudo por mim, me agradar e dizia que iria me tirar daquela vida e que eu teria uma vida melhor", contou a mulher, por meio de nota divulgada pela Prefeitura de São Vicente. Em um ano, ela deixou de estudar, perdeu o contato com as amigas e passou a viver sob controle do homem. Gisele destacou que o namorado voltava a apresentar o comportamento do início da relação após as agressões físicas e psicológicas, o que a fazia acreditar em uma mudança. "Depois que ocorria toda a confusão, a briga e as agressões, no outro dia ele vinha com bombons. Ele me levava ao shopping, fazia coisas para mim. Ele voltava a me dar tudo aquilo que tinha dado no começo. Então, aquilo que ele tinha feito era apagado", relembrou. Tentativa de feminicídio Gisele Fiales ficou tetraplégica após ser baleada pelo ex-companheiro Divulgação/Prefeitura de São Vicente A mulher afirmou que engravidou aos 15 anos, mas as agressões ficaram cada vez mais graves. Com a ajuda de uma amiga, Gisele conseguiu ir embora de casa e começou a trabalhar para tentar recuperar a guarda da filha na Justiça. A tentativa de feminicídio aconteceu em 1995, quando a mulher tinha 18 anos. Gisele contou que o ex-namorado invadiu a casa enquanto ela tomava banho e disparou ao menos cinco vezes em sua direção. O homem, que não teve a identidade revelada, não chegou a ser preso na época. A vítima destacou que o crime aconteceu antes da criação da Lei Maria da Penha, em 2006, quando os mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência eram mais limitados. Tetraplégica Gisele Fiales ficou tetraplégica após ser baleada pelo ex-companheiro Arquivo Pessoal Gisele disse ter sido encontrada por amigas que tinham combinado de sair com ela naquele dia. "Eu fiquei acordada o tempo todo. Só estava muito fraca, com a voz muito baixa. Eu ficava pedindo para não morrer, rezando e pedindo a Deus", lembrou. Ela acrescentou que foi levada ao hospital e permaneceu inconsciente por dois dias. Quando acordou, Gisele foi informada pelos médicos de que havia ficado tetraplégica porque um dos tiros atingiu a medula, na região cervical C5 e C6, provocando uma lesão grave. "Eu tinha a sensação de que tinha morrido e estava enterrada, debaixo da terra, pedindo ajuda, e ninguém conseguia me tirar dali. Mas aquilo acontecia porque meu corpo não se mexia. Minha mente estava acostumada com os meus movimentos. Então, foi um choque", lamentou. Nova vida A vítima contou com a ajuda de amigos e vizinhos que se revezavam para auxiliá-la nas atividades básicas. Ao longo dos anos, ela passou por diferentes tratamentos e fisioterapias até recuperar parte dos movimentos e da autonomia. Hoje, Gisele tem usado a própria história como alerta e apoio para outras mulheres. "Tudo o que eu puder fazer para que, um dia, mesmo que eu não esteja mais viva, meus filhos e meus netos possam dizer 'acabou essa cultura, isso não existe mais', eu vou fazer", destacou. Violência contra mulher O g1 reuniu algumas orientações para vítimas de violência contra a mulher. Veja abaixo como pedir ajuda nesses casos: Violência contra mulher: como pedir ajuda A Prefeitura de São Vicente também divulgou canais de denúncia e atendimento para vítimas de violência contra a mulher. Confira: ➡️Polícia Militar: 190 ➡️Guarda Civil Municipal: 153 ➡️Disque Direitos Humanos: 100 ➡️Central de Atendimento à Mulher: 180 ➡️Atendimento municipal especializado via WhatsApp: (13) 99130-7047 ➡️OAB Por Elas - Orientação jurídica gratuita para mulheres em situação de violência: (13) 99709-5997 VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/08/25/mulher-baleada-pelo-ex-fica-tetraplegica-e-decide-estudar-pericia-criminal-ultima-voz-da-vitima.ghtml


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